domingo, 5 de março de 2006



Alfredo Katukina apronta-se para a extração do veneno, amarra o sapo, raspa a secreção com uma ripa e a deixa cristalizar na palheta de madeira (Fotos por: Ernesto de Souza - Fonte: O Guia Rio Branco)

Índios denunciam uso ilegal de secreção do sapo kambô
(em 28/02/2006 - Fonte:
Radiobrás - Patrícia Landim e Paula Catarina, da Agência Brasil e da Rádio Nacional da Amazônia)
Brasília – A sabedoria dos povos indígenas do Acre tem sido usada por falsos terapeutas para atrair interessados em curas milagrosas. O alerta é dos próprios índios. Em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia , líderes da comunidade Yawanawa denunciaram o uso indevido de uma substância retirada da barriga da rã Phyllomedusa bicolor, conhecida popularmente como vacina do sapo kambô.O índio Joaquim Luiz explicou que a secreção é, para os povos indígenas do Acre (Yawanawa, Katukina e Kaxinawa), uma espécie de vacina que protege contra as doenças, as energias negativas, além de rejuvenescer as energias de uma pessoa. No entanto, o material é utilizado com os cuidados próprios de uma cerimônia milenar."A gente está ouvindo muito falar que, no Sul do país, as pessoas usam a vacina sem respeito, visando o lucro com a venda do leite do sapo pela Internet e aplicação do mesmo sem nenhum tipo de preparo e nenhuma permissão dos povos indígenas, com risco até de morte", alertou Joaquim Luiz.De acordo com ele, as comunidades indígenas estão envolvidas em um projeto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para proibir o uso do sapo kambô até que haja uma lei que proteja o conhecimento dos índios. Há dois anos, Anvisa já havia determinado a suspensão de toda propaganda da vacina veiculada nos meios de comunicação. A venda é considerada crime ambiental.
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A Ciência do Sapo Kambô (informações extraídas do site O Guia Rio Branco)

(José Augusto Bezerra - Fotos acima de: Ernesto de Souza )
Os katukina, povo indígena do grupo lingüístico pano, uma das várias etnias que habitam o Vale do Juruá, considerada a região de maior biodiversidade do mundo, eles se sentem lesados pela apropriação do kambo (pronuncia-se kambô), nome pelo qual identificam o sapo Phyllomedusa bicolor, o veneno expelido pelo animal e o ritual de uso da substância, patenteada por empresas farmacêuticas norte-americanas, israelenses e italianas, entre outras. Verde, com manchas circulares nas laterais, a espécie ocorre em todos os países amazônicos, especialmente na região fronteiriça do Brasil com o Peru - os kaxinawá e os yamanawá o chamam de kampú; os ashaninkas, de grupo lingüístico diferente, de wapapatsi.
José Augusto Bezerra Fotos: Ernesto de Souza
A finalidade básica do kambo é "tirar a panema". Ou seja, atrair a caça e as mulheres. Os katukina usam-no também como antídoto em caso de picada de cobra, medicamento para males diversos, fortificante e purgatório. Embora difícil de achar (confunde-se com as folhas), pode ser encontrado nas proximidades dos igarapés, quando canta anunciando chuva. Os índios geralmente os "colhem" ao amanhecer. Extremamente venenosos, não reagem à captura. Nem se mexem, como se não tivessem predadores. Aparentemente, são intragáveis - as cobras, espécimes quase sempre cegos, que se orientam pelo calor das presas, os cospem, desesperadas, quando os abocanham. A técnica de extração do veneno é tão antiga quanto simples. Amarra-se o bicho pelos pés, em forma de "X" e cospe-se nele três a quatro vezes, para irritá-lo. "Só assim solta o veneno", justifica Alfredo Jaqueira que, segundo se diz na reserva de Rio Campinas, em Cruzeiro do Sul, AC, onde mora, herdou do pai o entendimento das coisas, raízes, plantas, bichos e gente. Liberada a secreção, basta raspá-la com um pedaço de pau. A secreção (parece espuma) cristaliza-se rapidamente, podendo ser utilizada a qualquer hora. Entre os katukina, o ritual é cumprido em jejum. "Tem que beber ao menos dois litros d'água ou suco", adverte o velho Antônio Jaqueira - o propósito é provocar vômito, para limpar o organismo. Duas reações opostas caracterizam o kambo: a primeira, o sofrimento experimentado imediatamente após a aplicação; a segunda, o bem-estar ao final da vomitação. A pessoa se sente leve, tranqüila, cheia de energia.

A "vacina do sapo" virou tratamento alternativo em Rio Branco e outras cidades da Amazônia. Popularizou-se, abrindo espaço à fraude e à atuação de falsos curandeiros.

10 comentários:

Taia disse...

Estou impressionadsa com essa extração.
Mas será que vomitar com veneno de sapo dá energia mesmo?
Que loucura!
Mas se tem tanta gente interessada é porque dá certo.
Tem que se preservar a cultura indígena, patentear, dar lucro ao povo.
SE extrai tudo deles e nada de volta? Abuso!
Beijão...

Matilda Penna disse...

Por isso sou totalmente a favor de índios estudarem, serem cientistas também.
Quanto conhecimento para a humanidade toda não viria disso, quantas monografias interessantíssimas de fim de curso, quantas teses, em todos os campos?
Preservar a cultura sim, a ignorancia nunca.
Beijos, :).

Diana disse...

Boa tarde.....

Nossa........sss...rindo do sapo estirado......
Rsss...
Bjs.....

Angela Ursa disse...

Amigas Renata, nanbiquara e Diana, a natureza tem muitos mistérios e tantas coisas úteis que nós desconhecemos. Beijos da Ursa!

Laura disse...

Interessante seu blog, diferente.:)
Volte sempre. Abs, laura

Márcia(clarinha) disse...

Meu sobrinho, sua namorada e muitos amigos do meu filho[que tb quer fazer]fizeram as aplicações,passaram muito mal,vomitaram horrores e há mais de uma ano que nenhum deles pega uma gripe,nada.Eles são daimistas[Santo Daime]e seguem a filosofia da floresta pois quem trouxe a doutrina para cá foi Mestre Irineu que vivia no Mapiá,Acre,onde fundou a primeira igreja Céu do Mapiá tendo como seguidores os indios e poucos habitantes do local.
Aff!falei demais,rss
linda semana minha querida,
beijossssssssss
*A tese do meu filho é mais ou menos sobre isso.

Jôka P. disse...

Dona URSA, tô meio sem tempo de sentar aqui na Floresta e lewr o post todinho...
Mas deixo um beiJÔKA bem carinhoso e agradeço a sua visita à Copacabana !
Tô aqui com você !
Beijos na Rada AU AU !!!
:D

Jôka P. disse...

IH !!!
A minha amiga Laura do Caminhar tá aqui hoje pela primeira vez, é ?!
Beijos Laura querida !

Angela Ursa disse...

Laura, seja bem-vinda sempre à floresta da Ursa. Obrigada pela visita! Beijos! :))

Márcia Clarinha, eu já tinha lido a respeito do Santo Daime. Pelo que você disse, o efeito é parecido com o da vacina do sapo.
Sucesso para o seu filho com a tese! Beijos! :))

Jôka, obrigada pelo carinho e pelos beijos para a Rada. Ela adorou! ;)) Beijos da Ursa para você!
PS: A Ursa fica feliz de receber as suas amigas. Vou servir uns bolinhos de mandioca com chá para a Laura, para você e todos os meus amigos e amigas! :))

Anônimo disse...

Por favor,gostaria de visitar a aldeia do sapo,alguém saberia me informar como posso fazer isso,quem devo contactar?Obrigada Diana Sagulo.

diana_beatrice@hotmail.com