segunda-feira, 8 de maio de 2006

Povo Ava-Guarani

Artesanato Ava-Guarani (Fonte)

Vidas humanas não podem valer menos que toda energia da Itaipu Binacional
(Trechos de texto de: Ana Kristina S. Ribeiro e Heitor L. Gonçalves. Fontes: Site da Câmara Municipal de Foz do Iguaçú [matérias tiradas da Assessoria da Câmara, Gazeta do Iguaçu]. Terra Atlântica-Movimento Socio-Ecoambiental – e-mail aos Vereadores da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu. Abaixo-assinado da Aldeia Ava-Guarani do Oco’y, Município de São Miguel do Iguaçu, de 10 de janeiro de 2006.)

Em 1982, alguns meses antes da inundação que ocuparia 2.430 km², engolindo Sete Quedas e dezenas de outros rios e córregos da bacia do rio Iguaçú, uma aldeia indígena de quase 100 índios recebeu a notícia que iriam ser transferidos para outro local.
O projeto foi “magnânimo” com Fauna e Flora. De fachada, fizeram muitos filmes de equipes de biólogos recolhendo alguns exemplares de fauna que, para a biodiversidade da região, quase nada significou.
Da mesma forma, estudos apressados de Flora foram feitos para se preservar espécies endêmicas. Mas, com os índios Avá Guarani, foi bem diferente. Aliás ele nem são citados no projeto da usina.
Quando lembrados, deram-lhes um pequeno pedaço de terra. Depois da inundação, os índios perceberam que haviam caído numa armadilha. Mais da metade da pequena terra dada como indenização à inundação do território de sobrevivência indígena, estava debaixo d’água, como disse o Cacique Simão Tupã Retã Vilialva
Hoje, depois de 24 anos de penúria, de fome, de doenças, de mortes, pouco mais de 600 pessoas, em sua maioria constituída por crianças, impelem aos líderes Avá Guarani ao clamor de justiça.
Vivendo em dois grupos próximos, no município paranaense de São Miguel do Iguaçú, os índios passam por um período decisivo em suas vidas. Cansados e descrentes dos embates com a FUNAI e o IBAMA, principalmente, esse grupo de indígenas vem agora se movendo em direção à imprensa para que sua mais que reconhecida causa seja divulgada e atraia a atenção da sociedade e das autoridades, pois disso depende a sua sobrevivência.
Nesses 24 anos de assentamento, não há nada a comemorar. “Ao invés de esperança, temos a morte batendo à nossa porta”, disse Antônio Cabreira, um dos líderes da Aldeia.
A indignação dos moradores de Oco’y tem justificativa. São inúmeros os problemas enfrentados pelo grupo que vão desde a poluição do lago por agrotóxicos proibidos à mendicância. Quando os índios foram assentados eram 11 famílias e hoje chegam a 140. O grupo que era de menos de 100 pessoas, conta agora com mais de 600, sendo que 250 são crianças com idades entre 0 a 5 anos.
“A pequena extensão de terra não permite a nossa subsistência”
Em termos agrícolas, as famílias possuem pequenas áreas de plantio. Apenas 3 cultivos por temporada são plantados, o que torna impossível fazerem rotação de culturas. Plantando há 24 anos nos mesmos locais, podemos ter uma idéia da imprestabilidade da área. Não há caça nem muita coleta. A pesca é contaminada por agrotóxicos que escorrem das fazendas vizinhas, inexistindo qualquer vigilância por parte do IBAMA em relação à poluição do lago.
As aspersões de agrotóxicos são feitas por aviões agrícolas, facilmente notados nos aeroportos das fazendas. Os venenos são contrabandeados, em sua maioria, do Paraguai. São substâncias altamente nocivas que, regularmente, provocam mortandade de peixes. Os agrotóxicos, com as chuvas, descem para as terras guaranis e contaminam as nascentes de águas potáveis.
Desta forma, os índios estão sendo contaminados dia após dia, assim como os animais, as terras, e a sofrida agricultura familiar. A contaminação do lago tem deixado a população doente, principalmente as crianças que já sofrem com doenças até então desconhecidas, alergias como sarna que chegam a atingir até as crianças de colo.
Além da falta de alimentos, a educação também é precária. A escola da comunidade só ensina até a quarta série. O resultado são 170 alunos fora da escola.

Por tratar-se de uma área de reserva ambiental, os índios são perseguidos e impedidos de plantar, embora licenças especiais já tenham sido pleiteadas e até hoje não foram respondidas. O artesanato, outra parte importante da cultura Guarani e uma possível fonte de renda, também não se desenvolve pelo mesmo motivo, já que uma boa parte consiste de utensílios e objetos de madeira.
Os colonos que habitam os lados de cima da bacia estão muito próximos da aldeia, o que por lei é ilegal. O que separa a estreita faixa de terra indígena das plantações de soja dos fazendeiros é apenas uma estrada.
A proximidade e a falta de respeito, não só pelos colonos da região, mas pelo produtores, dá origem a conflitos violentos por causa de invasões. É alto o número de mortes e estupros e o descaso das autoridades torna essa situação inalterável e insustentável.
Como se não bastassem todos esses problemas, os Avá Guarani ainda precisam enfrentar a corrupção. Há poucas semanas um grupo formado pelos membros da recém-formada Associação Comu-nitária Indígena Oco'y - ACICO, encontrou alimentos que a FUNAI vem destinando aos índios apodre-cendo num depósito da Prefeitura de São Miguel do Iguaçú, enquanto os descendentes dos guerreiros de outrora mendigam pelas ruas da cidade, humilhando-se por um pouco de comida para não deixar mais crianças morrerem de fome.
A falta de perspectivas atinge o moral do grupo, desgraçadamente. Sem empregos, muitos migram para o Paraguai em busca de melhores condições de vida. A falta da continuidade dos estudos deixa a população acima dos 10 anos ociosa e acabam sendo “empurradas” à prostituição, crimes e suicídios.
O pleito dos Nhandeva Avá-Gurarani é simples. Terras em quantidade justa à que lhes foi subtraída para o assentamento das famílias, licença para plantio de subsistência e pequena comercialização como fonte de renda, incentivos para a educação e artesanato. Embora o povo esteja indignado, a esperança e os planos persistem. A aldeia vislumbra uma maior área de no mínimo 10.000 hectares, que será 50% reflorestada. Para este local há planos de construção de uma aldeia, nos moldes de 500 anos atrás, e que fará parte do turismo paranaense, e onde os Guarani, possam preservar a sua identidade, mostrando sua cultura, vendendo os seus produtos diretamente aos visitantes. A idéia inclui também a criação de um museu Guarani Nhandeva.
Para a educação das crianças, os planos são de construção de uma escola modelo que atenderá desde a creche até o ensino médio. Há planos também para a construção de uma escola técnica que possibilite a capacitação de mão de obra jovem e uma escola que se dedicará exclusivamente para ensinar o idioma Gua-rani Nhandeva.
Todos esses planos, simples e viáveis, passam a serem arrojados levando-se em consideração o descaso dos órgãos governamentais responsáveis pelas questões indígenas e ambientais, assim como das autoridades locais. Esse povo já demonstrou que foi capaz de viver de maneira sustentável por 500 anos, mas não pode garantir que resistirá a mais 500 anos de descaso, corrupção e hipocrisia.
Mas essa história ainda pode ser mudada. Se você se sensibilizou com a situação dos Ava-Guarani do Oco’y e quiser ajudar a reverter essa situação degradante, há duas maneiras de participar:
Enviar uma contribuição (qualquer quantia) para: a Associação Comunitária Indígena Ocoy – ACICO, no Banco do Brasil, agência 1357-9 (São Miguel do Iguaçú – PR), conta corrente no. 5991-9.
Repassar essa mensagem aos órgãos competentes, instituições, ONGs, imprensa, amigos e parentes. Manifeste sua indignação e cobre providências.

9 comentários:

Diana disse...

Bom dia....
Eita.....o homem com sua mão...se achando Deus....
Bjs....

Jôka P. disse...

O artesanato é bacanérrimo !
O texto, emocionante.
Sua floresta, um desbunde.
bjs!
Jôka P.

Matilda Penna disse...

Sempre o mesmo problema em formas e lugares diferentes, o descaso, a falta de respeito com os indíos...
Espero que essa história seja mesmo mudada, e logo!
Adorei o artesanato do jaguar, os dentinhos, lindo!
Beijos, :).

Daia disse...

Oi, amiga.
Se eu já não me conformava com o desaparecimento das Sete Quedas, agora estou indignada com a atual situação da tribo Avá Guarani. Vou repassar o texto para todos os endereços de e-mails que tenho.
Beijos.:)
Ps: O artesanato é lindo!

Angela Ursa disse...

Diana, é verdade. E sempre o desrespeito aos direitos indígenas. Beijos!

Jôka, a Ursa agradece os elogios à Floresta! Beijos carinhosos! :))

Nanbiquara, a arte indígena tem coisas lindas! Beijos da Ursa

Daia, obrigada pelo apoio e a divulgação do manifesto dos Ava Guaranis. Beijos!

Ana Kristina disse...

Ângela,

Só agora que descobri o seu Blog.
Tá lindíssimo.
Obrigada por ser mais uma a divulgar as nossas sementes.
Os Ava-Guarani de Oco'Y estão precisando mesmo de qualquer forcinha. As coisas parece que não andam e ainda aparece gente para remar contra.
Um grande beijo
Ana Kristina

Angela Ursa disse...

Ana, muito obrigada pela sua visita! Que os Ava-Guarani e todos os índios possam logo ter paz e seus direitos respeitados. Beijos!

Anônimo disse...

É UMA GRANDE PERDA, QUE ANTONIO CABRERA, NÃO SEJA´ÍNDIO, NÃO SE IDENTIFIQUE, E MAIS UM QUERENDO GANHAR EM CIMA DOS GUARANIS...
VCS SABEM QUEM ELE É???? EU NÃO>>>
NA ALDEIA ELE NÃO MORA, NÃO TRABALHA, MENTE Q É PROFESSOR... SÓ SE FOR DO PREFEITO DE FOZ DO IGUAÇU, QUE PAGA O TAXI PRA ELE IR NA ALDEIA...

Angela Ursa disse...

Eu também não conheço Antonio Cabrera. Apenas postei aqui a matéria por interesse pelo tema abordado. Abraços