domingo, 19 de novembro de 2006

aldeia Xikrin (foto do livro Habitações Indígenas)
Crianças Xikrin preparadas para festa de nominação; fotos de Isabelle Vidal Giannini,
do livro "Grafismo Indígena", de Lux Vidal

Os índios Xikrin
(Fonte: Boletim Iandé n. 15)
Nas últimas semanas jornais, rádios e televisões têm noticiado (mais) um conflito entre índios e não-índios. A empresa de mineração Vale do Rio Doce reclamou que indígenas da etnia Xikrin, do Pará, entraram na área da mineradora e impediram a empresa de ganhar dinheiro. Por sua vez, os Xikrin solicitam recursos para compensar o estrago que a atividade de mineração faz na área onde vivem.
É difícil entender o que está acontecendo de verdade, apenas pelo noticiário. Há algumas entrevistas com diretores da Vale do Rio Doce, mas nenhuma palavra dos Xikrin. Ficamos sem saber sua versão do fato. Não sabemos quem são eles, o que pensam, o que realmente querem... nada disso foi publicado.
Esse boletim da Iandé apresenta um pouco da história, costumes e artes dos índios Xikrin.
No meio da desinformação apresentada pela grande imprensa sobre esse caso, apenas um comentário se salvou: a coluna de Marcelo Beraba, ombudsman do jornal Folha de São Paulo. O jornalista, que é pago para criticar o próprio jornal onde trabalha, apontou em seu texto a distorção que acontece na cobertura jornalística de fatos distantes dos grandes centros, como esse conflito que envolve os Xikrin e a Vale do Rio Doce.
O texto, cujo título é "O Pará é logo ali", está publicado no endereço http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om0511200602.htm (só para assinantes do UOL) .
Também pode ser lido por qualquer pessoa no endereço do site Observatório da Imprensa: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=406VOZ001

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Histórias Curtas
As casas da aldeia dos índios Xikrin formam um círculo. O local onde a aldeia é construída é escolhido por um xamã, que marca o centro do pátio com um maracá. Esse maracá representa o centro do mundo.

Os homens Xikrin mudam-se para a casa de suas esposas quando casam-se.
Os Xikrin apreciam carnes gordas, como anta, porco do mato, jabuti, etc... Também comem peixes mas sofrem hoje em dia com a diminuição da pesca, pois as nascentes dos rios que cortam seu território estão fora da área indígena e passam por regiões de garimpo e fazendas. As águas chegam já poluídas à área dos Xikrin.
A água é um elemento de criação para os Xikrin. A imersão em água está relacionada ao amadurecimento do indivíduo. E foi um espírito das águas quem ensinou a cura das doenças aos índios.
Segundo os Xikrin, a parte leste do mundo é limitada por uma gigantesca teia de aranha. Além dela vive um Gavião-Real que é responsável pela iniciação dos xamãs Xikrin. A ave fura a nuca dos índios e aqueles que sobrevivem ganham poderes espirituais.
As danças e cantos dos Xikrin recuperam o tempo mítico, e recriam a energia necessária para a continuidade e a estabilidade da floresta onde vivem. (E quem há de dizer que não é verdade ?)

6 comentários:

Diana disse...

Bom dia.....
Acabamos só tendo noticias do lado que tem dinheiro né D. Ursa....
Tomara que alguém tenha peito e mostre tb a defesa deles.....
Boa semana....
Bjs...

Angela Ursa disse...

Diana, é verdade, os índios precisam ter um espaço maior para a divulgação de assuntos importantes para eles. Beijos da Ursa!

Matilda Penna disse...

oda história tem, no mínimo, dois lados.
Um espaço para divulgação dos assuntos importantes para os índios, muito espaço, é preciso mesmo, concordo.
Beijos, :).

Lia Noronha disse...

Ursa: sempre péssimas notícias...sobre a Natureza!!!!Precisamos de boas...urgentemente,nao é mesmo???!!!
Beijos bem urbanos

Anônimo disse...

Angela,
quer dizer que são os índios que mudam para a casa das esposas ... interessante, não?
Beijos!

Angela Ursa disse...

Nambiquara, tomara que eles consigam ampliar a divulgação. Beijos!!

Lia, eu também gostaria tanto que houvesse mais notícias boas. Beijos!!

Gená, os Xikrin seguem esse costume. Mas não sei se os outros povos indígenas também. Beijos!