sábado, 27 de janeiro de 2007

Nossa visão da mata
(texto de Olinda Muniz, publicado no site Índios On line)

Esperamos uma grande conquista, e já faz muito tempo que temos a esperança de que essa conquista não se protele mais, pois depois que voltarmos para nossa terra teremos outra grande luta pela frente. Essa luta nos fará lembrar do nosso passado à muitos anos atrás, pois, quando chegarmos em lugares onde encontrávamos lindas matas antes dos fazendeiros nos roubarem, só veremos um tapete de capim (pasto) do qual os fazendeiros cuidam como se fosse grande coisa.
Talvez pensem que somos assim e não entendamos seu trabalho com a terra por sermos selvagens e ignorantes que de nada entendemos. Antes de nos roubarem as nossas florestas elas eram exuberantes, mas hoje só vemos clarões de destruição, é possível que só vejamos isso por sermos selvagens que não compreendem o progresso, mas esse é o nosso jeito.
Para nós as florestas nos proporcionam muito mais que uma sombra. Elas nos acolhem como pois somos parte delas. As arvores podem nos alimentar e nos proporcionar uma orquestra musical, pois é delas que tiramos frutos e é onde habitam os pássaros que parecem nos encantar com musicas para nossos olvidos. É entre as árvores onde habitam os espíritos de nossos antepassados.
Por isso temos que preservar o que restou de nossas matas. Do alto das nossas montanhas cobertas de matas brota águas cristalinas que nos mata a sede. As cigarras passam parte de sua vida embaixo da terra só vão para a superfície na época de reprodução e aparecem na floresta, preenchendo nosso espaço com sua musica. Pela manhã contamos com a ajuda dos pássaros que nos acordam para vida.
Conseguem imaginar perder isso? Os não índios preferem ser acordados por uns besouros gigantes de cores variadas, com olhos que nos parecem chamas de fogo passando em frente a suas casas fazendo barulho e poluindo o ar. Mas talvez pensemos assim por sermos selvagens e ignorantes que de nada entendemos. Mas nós índios temos que preservar o que nos resta de nossa natureza e fazer a nossa parte no mundo.
Vamos cumprir com nosso dever não desmatando nossas florestas que é o habitat de muitos animais. Se abandonarmos isso estaremos deixando para traz o que nos caracteriza como povo na relação com a natureza. Mas se cada um de nós fizer sua parte já vai ser bom, talvez não seja suficiente, mas pelo menos teremos tentado. Sei que nós indígenas teremos muito trabalho para recuperar a vida em muitos lugares que foram destruídos em nossa aldeia, mas nós sabemos que não vamos conseguir sobreviver em uma terra estéril. Então vamos cuidar do que nos resta.
Que a natureza que nos resta venha nos permitir ver nossos filhos e netos crescerem saudáveis e felizes. Preservando a natureza estaremos nos preservando também. Pode ser que os não índios não dêem o mesmo valor que nós indígenas damos a nossa mãe terra, mas se entrarmos no mesmo processo dos não índios estaremos abandonando nossa harmoniosa relação com nossa mãe e a tratando com o mesmo desrespeito que tanto criticamos.

13 comentários:

Anônimo disse...

Angela, obriugada pelos parabéns e dê um grande abraço na sua mãe por mim.
Beijo enorme.

jonasmarchand@uol.com.br disse...

Angela, continue firme na sua luta pelos indigenas. Beijos e bom Domingo do seu amigo Jonas.

Anônimo disse...

Li seus ultimos posts e quero lhe deixar muito carinho !
Bjs!

Angela Ursa disse...

Fada Renata, obrigada pelo abraço para a minha mãe. Como foi a comemoração do seu niver? Beijos da Ursa :))

Jonas, agradeço pelo seu apoio às questões indígenas. Beijos da Ursa!

Joka, muito obrigada pelo carinho. Beijos floridos da amiga Ursa carioca! :))

Ana Maria disse...

Angela, você seria a favor da internacionalização da Amazônia, já que nossos governantes ignoram a tragédia que se vislumbra se ninguém tomar uma providência contra o desmatamento? Ou os estrangeiros seriam picaretas disfarçados de ONGs? Estou curiosa pra saber sua opinião.
Beijos

Jôka P. disse...

Angela, essas diferenças de acentuação aqui ao lado ocorreram no meu blog também, depois da mudança, mas podem ser facilmente corrigidas de uma vez por todas indo lá no seu "MODELO" de HTML e alterando manualmente.
Você corrige, visualiza e manda re-publicar a floresta.
Voltará tudinho ao normal, como era antes, fique fria.
Bjs!
:D

Jôka P. disse...

Até os nossos avatares voltarão a aparecer daqui pra frente...

Jôka P. disse...

Até os nossos avatares voltarão a aparecer daqui pra frente...

Angela Ursa disse...

Ana, eu acho perigosa essa internacionalização da Amazônia porque realmente pode ter relação com outros interesses. Beijos!

Jôka, obrigada pelas informações. Depois, vou editar o template e corrigir os erros. Beijos!!

wicky disse...

Que a natureza que nos resta venha nos permitir ver nossos filhos e netos crescerem saudáveis e felizes. Preservando a natureza estaremos nos preservando também. Pode ser que os não índios não dêem o mesmo valor que nós indígenas damos a nossa mãe terra, mas se entrarmos no mesmo processo dos não índios estaremos abandonando nossa harmoniosa relação com nossa mãe e a tratando com o mesmo desrespeito que tanto criticamos.
Não desrespeitemos nunca a Mãe-Natureza.

Gde abraço para ti

Angela Ursa disse...

Wicky, beijos floridos da Ursa! :))

Maria Clarinda disse...

OLá, entrei em teu site por acaso, sou angolana, mas descendente de parte de trisavó de indio (pernambuco),minha trisavó foi pega no laço e enviada para Huila.
Tenho um blog gostaria muito de colocar nele este teu post será que posso?
Um beijo

Angela Ursa disse...

Maria Clarinda, seja bem-vinda! :))
Então, você é descendente de índios. Que legal! Fique à vontade para colocar o post no seu blog. E obrigada pela divulgação! Beijos da Angela Ursa :))