sábado, 5 de novembro de 2005

Índios Krahô (Foto: Renato Soares - site Estadao.com.br)

Quem manda em uma comunidade indígena? (Fonte: Iandé - Boletim de Histórias )
Cada etnia indígena desenvolveu seu próprio sistema de governo, ou seja, os mecanismos para controlar e exercer poder. Alguns exemplos estão a seguir:
1. Entre os índios Mehinaku, do Parque do Xingu, o poder do líder é limitado por um conselho de homens formado pelos mais experientes e pelos chefes das maiores famílias da comunidade. Todos os assuntos são discutidos entre esse conselho e as decisões tomadas com a aceitação do grupo. Um detalhe é que somente os homens participam desse "parlamento". A decisão é tomada e cada um deles a comunica às mulheres de sua família. No dia seguinte, as mulheres se reúnem e discutem a decisão masculina. Se elas concordam a decisão é colocada em prática, do contrário o assunto é rediscutido pelos homens até a aprovação de suas mulheres.
2. Nas aldeias dos índios Kayapó, que vivem no Mato Grosso e Pará, coexistem dois chefes. Cada um exerce jurisdição sobre seu próprio grupo e nos assuntos comuns a todos, é necessário um consenso entre eles. Por isso uma das qualidades mais valorizadas para que o índio torne-se um líder, é a capacidade de apaziguar conflitos. Como o líder não tem o poder coercitivo, sua ação é mais voltada na observação das idéias que estão se formando no grupo, e na capacidade de formular essa idéias de uma forma que todos a aceitem. Por outro lado, os Kayapó esperam também que seu líder seja agressivo quando sejam discutidos os interesses da aldeia com membros de fora de sua comunidade. Outra qualidade necessária ao líder é o conhecimento da história da comunidade e dos cantos e preces que encorajam as pessoas e pacificam os fenômenos naturais. Cada líder instrui quatro ou cinco jovens durante anos, para substituí-lo. Nesse processo de formação, os motivos que levam o jovem a desejar a liderança são constantemente questionados e expostos em público.
3. Entre os índios Krahô, do Tocantins, a aldeia é dividida em duas metades. Todo índio pertence a uma dessas metades. Há um líder, indicado pela metade mais forte, que funciona como um "chefe de estado". Ele representa a aldeia perante os membros de fora e tem um poder de moderação de conflitos dentro de sua aldeia. Há porém mais dois líderes, cada qual de uma das facções da aldeia, que orienta e decide sobre os assuntos cotidianos, como um "chefe do governo". Durante metade do ano, o líder de uma facção governa. Na outra metade, é o líder da outra facção. A passagem do poder é marcada por uma grande festa. Mais de uma vez, índios Krahô explicaram esse seu sistema de poder aos não-índios, comparando cada metade da aldeia com partidos políticos da sociedade não-indígena.
4. Os índios Rikbaktsa, do noroeste do Mato Grosso, apresentam marcantes divisões internas, derivadas de laços de parentesco, clãs, grupos de idade, etc... Uma situação que dilui tanto o poder, que acaba levando à ausência de líderes. O processo político interno é conduzido por todas as pessoas, através de muita conversa: todos os acontecimentos são comentados e discutidos e as necessidades e decisões são harmonizadas por - o que pode se chamar - de "opinião pública". O antropólogo Rinaldo Arruda descreveu a "fofoca" como um dos processos de limitação do poder. Quando um índio demonstra o desejo de se impor demais, os Rikbaktsa tornam público esse processo, condenável dentro de sua sociedade, e a zombaria geral dos índios daquele grupo acabam por fazer o "aprendiz" de chefe desistir de sua idéia.

7 comentários:

Daia disse...

Muito interessante e sábias formas de "governo". Principalmente o poder feminino entre os Mehinaku e a alternância do poder entre os Krohô.

Jôka P. disse...

Dona URSA !!!
Quero agradecer a gentileza de seus elogios ao template novo que fiz pra queridérrima Palpiteira.
Vai ter uma novidade ... as roupinhas mudam de vez em quando e... bom.
Não conto mais pra não estragas as supresas !
Agora duas blogueiras têm griffe JÔKA P...
Palpi, e VOCÊ !
São chiques, poderosas, influentes e famosas.
O top de linha dos blogs.
Merecem ser grifadas !
Réré !
:)
Bjs !
JÔKA P.

Angela Ursa disse...

daia, acho muito importante a participação do homem e da mulher nas grandes decisões. Poder unilateral não tem nada a ver. Beijos!

Jôka, você é um grande artista! A Palpiteira parece uma artista de cinema no desenho. E ainda por cima vai mudar de figurino de vez em quando?! Que charme!
A grife Jôka está enfeitando os blogs! Beijos e carinho da Ursa :))

Lia Noronha disse...

Ursa: vc está dsempre sendo homenageada pelos amigos...é uma forma de gratidão pelo grande serviço prestado à mãe -natureza.

Bom sábado pra vc nesta floresta onde há paz tenta reinar!

Saramar disse...

Angela Ursa, boa noite.
Mais uma visita, mais um monte de coisas que aprendo com seus posts. Vc nos proporciona beleza e conhecimento, tudo misturado. Um primor.

Beijos

Margaret Dal-Ri disse...

Os índios Mehinaku bem que podiam ganhar tempo e fazer sua reunião junto com as mulheres, já que assim como entre nós, precisam da aprovação delas para os assuntos discutidos.Não achas?

Angela Ursa disse...

Amigas Lia e Saramar, o brilho da floresta da Ursa é dado pelo carinho de vocês e todos os meus outros amigos visitantes. Beijos!

Amiga Margaret concordo com você! :)) Beijos!