sábado, 7 de janeiro de 2006

Relato da visita a uma aldeia Guajajara no Maranhão
(por Luiz Rosado Costa)
O autor do site
Nheengatu Tupi com os índios Guajajaras da aldeia Morro Branco
Viajando de férias em janeiro fui visitar um tio em Grajaú e já na estrada vi várias reservas indígenas, a maioria com nomes em português, o que me fez pensar que já eram índios totalmente aculturados. No dia seguinte consegui uma autorização para visitar a aldeia Morro Branco dos índios guajajaras, ao chegar na aldeia aquele pensamento que tive ao passar pelas aldeias da estrada me voltou a cabeça; as “ocas” eram na maioria feitas de tijolos ou pau a pique, a aldeia em sua grande parte tinha luz elétrica, fui muito bem recebido pelos índios que falavam um português muito fluente sem sotaque nenhum, após algum tempo de conversa tomei coragem de perguntar sobre a língua deles se alguém ainda se lembrava da primitiva língua dos guajajaras, não tive como resposta um sim ou não mas uma animada conversa entre eles em seu próprio dialeto, arrisquei algumas palavras usando o pouco que sei do Tembé que é uma língua muito parecida mas era muito difícil a comunicação pois eles falam extremamente rápido, o que dificulta o entendimento de quem não tem o hábito de ouvir o tupi todos os dias. Notei que eu tinha visto quase todos da aldeia, menos o pajé. Enquanto eu tentava identificar essa singular figura das tribos indígenas brasileiras o cacique foi me ensinando algumas palavras do Guajajara me mostrando os objetos e dizendo seus nomes em tembé ou ensinando algunmas frases como “y emure hé pá” (eu quero água), antes que eu pudesse perguntar sobre o pajé a minha dúvida já foi prontamente esclarecida quando ele retirou um terço do bolso e disse: isso é “karaí ma´é” (coisa de branco)... Na saída da aldeia o que senti foi uma centenária cultura agonizante que tenta resistir, mesmo que discretamente, às “karaí ma´é” que os circundam e os invadem cada vez mais.

Um comentário:

Margaret Dal-Ri disse...

Esta deve ter sido uma experiência e tanto.Este contato direto.A oportunidade de saber algo mais da cultura e comportamento desta tribo.Torcemos para que eles resistam as "karaí má é.