quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Cocares dos Kaxinawá são feitos de penas de pássaros
Índios cheiram rapé para "limpar" a mente

Índios Kaxinawá são exemplos de organização e vitalidade na floresta
(Trechos de reportagem publicada no Página-20, Cotidiano, em 11/07/2004, enviada para a Lista de Literatura Indígena)

Viagem pelo rio Jordão mostra como um povo pode viver feliz e em harmonia com o que a floresta lhe oferece
(Romerito Aquino - Fotos: Sérgio Vale)

Antes deles, os índios ficavam bem lá embaixo da cadeia social conhecida na selva acreana. Ninguém queria saber de índio. Índio bom era índio marcado como gado, escravizado, quando não chacinado nos “bons tempos” das correrias, época em que os brancos cercavam as aldeias, matavam os homens e velhos, escravizavam as mulheres e jogavam suas criancinhas pra cima para serem aparadas na ponta do facão.
Mas eles, os índios Kaxinawá, que significa “povo do morcego”, ajudaram a mudar definitivamente o que os antropólogos consideram um dos quadros mais tristes da história da colonização do Acre. Pioneiros, no início da década de 70, na luta pela consolidação dos direitos dos povos indígenas acreanos, os Kaxinawá, no entanto, não só ajudaram a reverter o triste quadro em que eles e seus irmãos índios se encontravam quanto passaram a ser considerados agentes importantes e fundamentais da organização social e econômica do estado.
De escravos no passado, os Kaxinawá e outros grupos indígenas acreanos passaram hoje a ser chamados de “povos da floresta”, participando inclusive do primeiro escalão da atual administração pública do estado, cujo slogan, “Governo da Floresta”, também foi concebido em homenagem a eles. A participação dos índios no governo acreano se dá principalmente através da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas.
Foi para conhecer esses fantásticos índios que se autodenominam “Hunikuin”, termo Kaxinawá que significa “povo verdadeiro”, que eu e o fotógrafo Sérgio Vale, acompanhados de uma equipe da TV Nacional, nos dirigimos na terceira e última etapa da viagem que fizemos em maio deste ano pelas florestas do Vale do Juruá. Percorremos de barco uma região que, pela grande biodiversidade de sua flora e de sua fauna, faz do Acre verdadeiramente a terra da biodiversidade, título atribuído a esta série de reportagens.

Luta pela terra começou com cacique Sueiro

O velho cacique Sueiro Sales foi a primeira liderança indígena do Acre a sair da aldeia e ir para Rio Branco reivindicar a demarcação de suas terras.
Foi Sueiro Sales, por exemplo, quem se acompanhou em 1974 do antropólogo acreano Terri Aquino e saiu pelo mundo afora proclamando, na imprensa e em todos os fóruns que encontrava pela frente, que o seu povo, assim como todos os povos indígenas do Acre, tinham direito de reaver os seringais em que seus pais e avós viviam na floresta acreana. Naquela época, aos Kaxinawá de Sueiro só restava apenas um dos oito seringais de seus antepassados. “A luta dos nossos parentes antigos pela demarcação da terra foi importante para toda a nação Kaxinawá”, assinalou o filho do cacique Suero.
A exemplo dos Ashaninka, do rio Amônia, os Kaxinawá do Jordão e Tarauacá, sob o comando de agentes florestais indígenas, que se formaram com o apoio do Governo da Floresta, também fazem manejo de árvores na floresta, plantando especialmente aquelas destinadas à construção de casas e canoas. Além disso, plantam muitas árvores frutíferas ao redor das aldeias, como pupunha, cupuaçu, coco, manga, tangerina, laranja, graviola, cacau, acerola, amora, cupuí, castanha, cheiro verde e urucu. Com a árvore do mulateiro, os índios fazem teto, caibro, esteio e barrote para casa, além de produzirem lenha. A paxiúba, por sua vez, é usada para fazer o assoalho da casa.

6 comentários:

Maria Clarinda disse...

Amando toda a civilazação índia, adorei estes momentos maravilhosos que por aqui passei.
Obrigada por eles. Já faz parte dos meus favoritos e diários.

Diana disse...

Bom dia.....

Pensando.....tem que usar muitas penas né....
Rsss...
Bjs....

Márcia(clarinha) disse...

Maravilhosos cocares, trabalho perfeito desse povo! Cheirar rapé pra encontrar a paz, aff! nunca pensei nisso,rss
Feliz 2007 minha querida, muita paz, amor, saúde e harmonia, obrigada por tanta informação que sempre recebo com satisfação.
lindos dias, flor
beijossssssssssssss

Angela Ursa disse...

Maria Clarinda, obrigada pela sua visita e pelo seu comentário. Seja sempre bem-vinda! Abraços florestais! :))

Diana, é verdade. Beijos!

Márcia Clarinha, as drogas podiam ser substituídas pelo rapé. Quem sabe, assim, não diminuía a violência urbana? :)) Beijos e carinho da Ursa! Um 2007 maravilhoso para você também!

Lia Noronha disse...

Ursa: obrigada pelo carinho da visita ao meu Cotidiano,ok?
Beijinhos d eboa noite diretos do meu Cotidiano pra sua linda e encantada floresta!!!

Angela Ursa disse...

Lia, é bom ver você na Floresta! :)) Beijos floridos da amiga Ursa!