segunda-feira, 23 de abril de 2007


Portal Indígena permite a comunicação virtual entre 20 mil índios brasileiros
(Fonte: Jornal O Globo - trechos de matéria publicada no site Índios On line )

Tem índio na rede
Rio de Janeiro, RJ - terça-feira, 17 de abril de 2007 - 06:00:12
Josy Fischberg* » josy@oglobo.com.br • PAU-BRASIL, Bahia

Desde que nasceu, há 17 anos, Olinda Wanderley, ou Clairê, seu nome
indígena, ouvia histórias sobre o primo Erick. Ela, na Terra Indígena
Caramuru-Catarina Paraguaçu, Bahia. Ele, no bairro de Santa Cruz, Rio
de Janeiro. Na primeira vez em que trocaram uma palavra, em 2004, não
estavam em nenhuma tribo ou manifestação de índios: encontravamse, os
dois, em frente a um computador, logados no chat do site
www.indiosonline.org.br . O primo Erick realmente existia e, agora,
podia contar ele próprio suas histórias.
— Conversamos muito, principalmente sobre política indigenista e as
terras do nosso povo nunca devolvidas. Já percebi que escrevemos com
muita emoção, sempre — diz o designer Erick Muniz, que deixou
Caramuru-Catarina Paraguaçu em 1987, quando tinha 13 anos.
"Índios on-line" é um projeto da ONG Thydewas, formada por índios e
não índios, que há três anos vem facilitando a comunicação entre
sete nações indígenas da Bahia, de Alagoas e de Pernambuco, através da
internet. Entre essas nações, estão os PataxóHãhãhãe, do sul da Bahia,
da qual fazem parte Olinda e Erick.
Existem cerca de 20 mil índios em todas elas.
Há computadores conectados, via satélite, nessas aldeias e os índios
não só navegam na rede, mas também são responsáveis pelo conteúdo do
site. De quebra, ainda trocam experiências no chat, aberto a todos.
O ponto de encontro "webindígena" atrai pesquisadores de diversas
áreas, além de, claro, estudantes.
— Já recebemos jovens desesperados por informações para trabalhos
escolares ou de faculdade.
Sempre "para amanhã" — conta, rindo, Ivana Cardoso, descendente de
índios Kiriri, formada em direito e diretora executiva da Thydewas.
Se de um lado da linha estão jovens brancos, do outro, muitas vezes
estão jovens índios.
Na aldeia dos Pataxó-Hãhãhãe são muitos os que participam ativamente
do projeto.
— Começamos com o projeto "Índio quer paz", para minimizar a
discriminação dos brancos contra os índios, agravada pelas retomadas
de terra.
Íamos até as cidades próximas para mostrar a nossa cultura.
Agora, com a internet, mostramos a nossa cultura para o mundo — explica.

3 comentários:

Lia Noronha & Silvio Spersivo disse...

Ursa: que excelente matéria...gostei!!
beijos bem carinhosos pra vc.

Jôka P. disse...

Oi, Ursinha !
Fui ao médico ainda há pouco, tenho que fazer repouso e se não melhorar até sexta, entro na Amoxilina.
Parece que passei num moedor de carne...
Obrigado pelo chá florestal !
Bjs!

Angela Ursa disse...

Lia e Silvio, o site Índios On line, tem matérias ótimas indígenas e chat. Beijos!!

Jôka, acabei de enviar uma resposta para você por e-mail. Descanse bastante para recuperar as energias. E tome bastante vitamina C, que ajuda a defesa do organismo. Beijos e carinho da Ursa! :))