
No meio de cada apresentação, uma mistura de gerações formava a identidade de cada grupo de caboclo. Sílvio Romero, conhecido com Silvinho, explica que os ensinamentos são passados de geração a geração. Ele, que tem três filhos, orgulha-se de poder continuar o costume herdado do pai. “A tribo Tapuias Câmara de Camaragibe, na qual coordeno, já está indo para a quarta geração. Meu pai, José Boaventura Borges, fazia parte da Tribo Indígena Kapinawá”. Silvinho explica também, que a rivalidade entre os “donos” de caboclinhos é constante, principalmente, quando a concorrência é com algum membro da família. “Tenho mais dois irmãos que montaram o seu próprio caboclinho, o que causou indignação na família e, conseqüentemente, brigas constantes. Nas apresentações, era um querendo dançar melhor do que o outro, agora, melhorou”.
A dança é parecida com um ritual, sendo apresentada em duas fileiras. Primeiramente, é feita a Guerra, onde todos os caboclos se preparam para a batalha. Depois, vem a Perré, significando uma adoração ao chefe da tribo. E, por último, tem o Baião, que apesar de lembrar um ritmo junino, é uma coreografia festiva. Todos são determinados pela mudança da batida. Mayara Rodrigues, de 10 anos, exibia os passos aprendidos nas aulas de dança. Segundo ela, a essa oportunidade oferecida pela Prefeitura do Recife é importante, pois valoriza a cultura indígena, que ainda é muito forte no interior do estado. “A sensação de ver as pessoas nos prestigiando é o que nos faz ter mais garra na hora de se apresentar”, completa a menina.
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