

A renovação do nosso espírito, e a satisfação da vida material, se dá com o nascer do sol: com uma planta que nasce, com o brotar da flor, com o aparecimento do fruto, com cada folha que renova, com o canto dos pássaros, com as matas povoadas de animais, com o encanto das florestas, com os rios, lagos, ou lagoas cheios de peixes, com o barulho das cachoeiras, com a água pura que mata a nossa sede, e que nos banha, com as nossas roças produzindo alimentos, para saciar nossa necessidade de perpetuação, com o entardecer, com a lua que surge para nos encantar, com as estrelas, que servem para nos guiar, com o novo amanhecer, com o nascer de uma criança, com o respeito e, o cuidado com os nossos semelhantes, com o direito de viver, e, com a nossa partida para o mundo espiritual. Enfim, com o amor e a proteção que nos relacionamos com a Mãe Natureza.
Somos parte da Terra, pedaços de torrões!
Não queremos um Natal e Próspero Ano Novo, que é medido de ano em ano, onde as pessoas são levadas a acreditarem que é só nesses momentos, que o espírito precisa de renovação e paz, que se redime de todos os tipos de atrocidades cometidos ao longo de um ano, que deve se colocar a melhor roupa, o melhor sapato, ter o melhor alimento, amar, sonhar, tolerar, perdoar, presentear, reunir os membros da família, e que depois de passado surgem as incertezas, o desespero, o egoísmo, o orgulho, a prepotência, a vaidade, o rancor, o ódio, a desesperança, a ganância, a sede do poder, a cegueira, a desilusão etc..;. Que transforma o homem, em um ser avilte.
Não queremos um Feliz Natal, e um Próspero Ano Novo de quem faz parte de um Sistema, ou aceita ser dominado por conveniência, e que deixa seus próprios irmãos: com fome, com sede, sem teto, sem pátria, sem direito a uma boa educação, à saúde, a um trabalho digno, sem acesso ao conhecimento dos direitos e deveres de cidadania, sem rosto e sem voz, que fomentam a guerra (a disputa e a discórdia),
Queremos sim, comungar sempre, com aqueles, que enxergam a humanidade como um todo, que não precisam de retórica, e nem se dizem intelectuais para seduzir e enganar seus irmãos, que não possuem olhos vendados, e que tem a plena consciência de que somos todos iguais perante a Natureza. A diferença é unicamente cultural. E, acima de tudo possuem a consciência de que precisamos preservar e cuidar do meio em que vivemos, se deseja para nossas futuras gerações uma vida digna!
Yakuy Tupinambá
Auere!
Fêmea do dragão de Komodo pode se reproduzir sem machos
LONDRES - Cientistas britânicos descobriram que as fêmeas do dragão de Komodo, maior espécie de lagarto do mundo, são capazes de se reproduzir sem ser fecundadas por um macho.
Os especialistas, que relatam sua pesquisa no número desta semana da revista científica britânica Nature, detectaram esse processo de reprodução assexuada, conhecido como partenogênese, em duas fêmeas dessa espécie em perigo de extinção, que viviam em cativeiro em dois zôos britânicos, isoladas dos machos.
A fêmea Flora, que vive no zôo de Chester (Inglaterra), pôs, em maio, vinte e cinco ovos, dos quais onze pareciam ser viáveis, sem que tivesse cruzado com um macho da espécie, que na idade adulta pode chegar a medir três metros e pesar até noventa quilos.
Oito desses onze ovos continuaram a se desenvolver normalmente, e os filhotes têm previsão de nascimento para janeiro, já que o período de incubação nessa espécie oscila entre sete e nove meses.
A fêmea Sungai, que vivia no zôo de Londres, pôs ovos dois anos e meio após seu último contato com um macho e seus filhotes, nascidos sete meses e meio depois, eram sadios.
Os cientistas, dirigidos por Phill Watts, da Universidade de Liverpool, submeteram as ninhadas das duas fêmeas a "testes de paternidade" e descobriram que o genótipo combinado geral dos filhotes reproduzia exatamente o de suas mães.
"Embora se saiba que outras espécies de lagarto realizem autofecundação, esta é a primeira vez que esse processo é identificado em um dragão de Komodo", explicou Kevin Buley, co-autor do artigo, em comunicado divulgado pelo zôo de Chester.
Na sua opinião, Flora é uma espécie de "Imaculada Conceição", já que "não é impossível que os filhotes saiam do ovo no Natal". "Estaremos atentos à presença de pastores, reis magos e a estrelas cadentes no céu sobre o Zôo de Chester", brincou.
DA ASSOCIATED PRESS
Biólogos que percorreram o rio Yangtzé, na China, declararam ontem que a espécie de boto que habita a região está "funcionalmente extinta". Após seis semanas de busca, cientistas afirmaram que o baiji, cetáceo quase cego e de pele branca que só existia naquela região, não suportou a pressão ambiental.
Os culpados foram a pesca predatória, a poluição, o tráfego de barcos e seus sonares, que atrapalha a navegação do animal.
Se for confirmada a extinção, este será o primeiro caso de um mamífero aquático aniquilado por pressão humana desde 1950, quando a foca-monge sumiu no Caribe.
Os ianomamis são a última nação indígena da região do Demene com escasso contato com o homem branco. O grupo conseguiu sobreviver relativamente afastado por seus hábitos nômades e por ocupar uma área muito distante da cidade, rio acima. As outras tribos do Demene - como os bahuana, cheriana e baniwa da nação Arauaca, foram dizimados pela escravidão e por doenças como pneumonia e sarampo, trazidas pela "civilização" branca.
O escritor paraense Abguar Bastos realizou uma extensa pesquisa sobre a preferência alimentar de vários grupos indígenas. Para descrever o resultado de seus estudos ele usou o termo "pantofagia", ou seja, o ato de comer de tudo.
Ele propôs uma divisão dos alimentos consumidos pelos índios em certas categorias: de resguardo, interditos, compensatórios, privativos e sagrados.
Os alimentos de resguardo são aqueles incentivados ou proibidos de serem consumidos durante um período ligado a um rito de passagem. Os alimentos probidos, se forem absorvidos durante esse período, podem trazer consequências graves, tanto para a pessoa que os comeu quanto para seus parentes próximos. Entre os índios Bororo, do Mato Grosso, as mães que davam à luz não comiam carne de tatu nem de tartaruga, senão seus bebês podiam ficar raquíticos. Entre os Urubu-Kaapor, do Maranhão, as meninas que estão prestes a menstruar pela primeira vez tomam uma sopa de aipim - "para esquentar a vagina" - e apenas podem comer tartaruga-branca, os peixes mandi e aracu, e chibé (farinha seca diluída na água).
Os alimentos interditos são aqueles proibidos a toda a comunidade indígena, como fêmeas grávidas ou animais considerados mágicos. Os Kaingang, do sul do Brasil, e os Rikbaktsa, do norte do Mato Grosso, não comem tamanduás. Os Kaingang dizem que são gratos ao tamanduá, que ensinou alguns cantos e danças para os índios. Entre outros exemplos: os índios Xikrin (do Pará) não comem o peixe jaú, os Karajá (do Tocantins) não comem tatu, os Tapirapé (do Mato Grosso) não comem preguiça... É comum que os índios comam a carne de macacos, mas há sempre alguma espécie que não é consumida. Geralmente o motivo é - segundo as lendas - que aquela espécie já foi um humano que se transformou em tempos passados.
Alimentos recompensatórios são geralmente reservados aos homens que realizam alguma atividade muito trabalhosa. Era habitual entre os índios Bakairi, do Mato Grosso, que os homens ganhassem alimentos de todos da aldeia, antes de partirem para a caça. Entre os índios Krahò, do Tocantins, persiste um costume realizado de tempos em tempos, que fortalece a amizade entre as famílias: todos os homens saem para a mata em busca de um alimento. Quando voltam à aldeia, oferecem esse alimento a uma mulher que não seja sua própria esposa, que retribui a gentileza com uma comida preparada por ela própria. Uma espécie de troca de presentes.
Os alimentos privativos são aqueles reservados a certos indivíduos ou grupos. Entre os índios Suyá, do Mato Grosso, apenas os homens podem comer os miúdos da anta. Também só os homens, entre os Rikbaktsa, comem a cabeça de macacos e porcos-do-mato.
Por fim, o escritor Abguar Bastos chama alguns alimentos de "sagrados". Ele reúne nessa categoria os alimentos que sofrem uma influência espiritual, antes de serem consumidos. Por exemplo: os pajés dos índios Marubo, do sudoeste do Amazonas, usam o canto para curar as doenças. Há casos em que esses pajés cantam sobre um pote de mingau, que depois é oferecido ao índio doente. Isso ocorre também entre os índios Baniwa, do norte do Amazonas. Durante a festa Kariana, um rito de passagem feminino, os pajés benzem e jogam fumaça sobre a comida que será consumida pelas meninas; normalmente beiju com molho de pimenta, peixe cozido e uma cabeça de peixe. Entre os índios Wanana, do alto Rio Negro - noroeste amazônico, os pajés benzem também o leite materno que é oferecido às crianças durante a cerimônia de batismo.
O povo Nambikuara
(Fonte da imagem e informações: site IDETI - Instituto das Tradições Indígenas)
Nambikuara, em tupi significa “gente de orelha furada” um apelido dado pelos Guarani aos povos que habitam a região noroeste do Mato Grosso, divisa com Rondônia, áreas de Cerrado e de Floresta no Vale do Guaporé. São cerca de 1500 pessoas no total, pertencentes a 18 sub grupos, que mantêm os mesmos fundamentos da tradição, mas com diferenças significativas na língua e costumes.
Os primeiros contatos aconteceram há cerca de 100 anos , com a Missão Rondon. Apesar desse tempo, e da proximidade com as fazendas e cidades que ocuparam a região, os Nambikuara lutam bravamente para manter sua cultura e recuperar conhecimentos e costumes que estão guardados na memória dos mais velhos.
A caça e a pesca, muito apreciadas, hoje não são abundantes. Adornos e utensílios são feitos por homens e mulheres com arte e técnicas milenares com a matéria prima do cerrado: o tucum, as fibras de buriti, madeiras e plumas.
Os índios Xikrin
(Fonte: Boletim Iandé n. 15)
Nas últimas semanas jornais, rádios e televisões têm noticiado (mais) um conflito entre índios e não-índios. A empresa de mineração Vale do Rio Doce reclamou que indígenas da etnia Xikrin, do Pará, entraram na área da mineradora e impediram a empresa de ganhar dinheiro. Por sua vez, os Xikrin solicitam recursos para compensar o estrago que a atividade de mineração faz na área onde vivem.
É difícil entender o que está acontecendo de verdade, apenas pelo noticiário. Há algumas entrevistas com diretores da Vale do Rio Doce, mas nenhuma palavra dos Xikrin. Ficamos sem saber sua versão do fato. Não sabemos quem são eles, o que pensam, o que realmente querem... nada disso foi publicado.
Esse boletim da Iandé apresenta um pouco da história, costumes e artes dos índios Xikrin.
No meio da desinformação apresentada pela grande imprensa sobre esse caso, apenas um comentário se salvou: a coluna de Marcelo Beraba, ombudsman do jornal Folha de São Paulo. O jornalista, que é pago para criticar o próprio jornal onde trabalha, apontou em seu texto a distorção que acontece na cobertura jornalística de fatos distantes dos grandes centros, como esse conflito que envolve os Xikrin e a Vale do Rio Doce.
O texto, cujo título é "O Pará é logo ali", está publicado no endereço http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om0511200602.htm (só para assinantes do UOL) .
Também pode ser lido por qualquer pessoa no endereço do site Observatório da Imprensa: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=406VOZ001
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Histórias Curtas
As casas da aldeia dos índios Xikrin formam um círculo. O local onde a aldeia é construída é escolhido por um xamã, que marca o centro do pátio com um maracá. Esse maracá representa o centro do mundo.
Os homens Xikrin mudam-se para a casa de suas esposas quando casam-se.
Os Xikrin apreciam carnes gordas, como anta, porco do mato, jabuti, etc... Também comem peixes mas sofrem hoje em dia com a diminuição da pesca, pois as nascentes dos rios que cortam seu território estão fora da área indígena e passam por regiões de garimpo e fazendas. As águas chegam já poluídas à área dos Xikrin.
A água é um elemento de criação para os Xikrin. A imersão em água está relacionada ao amadurecimento do indivíduo. E foi um espírito das águas quem ensinou a cura das doenças aos índios.
Segundo os Xikrin, a parte leste do mundo é limitada por uma gigantesca teia de aranha. Além dela vive um Gavião-Real que é responsável pela iniciação dos xamãs Xikrin. A ave fura a nuca dos índios e aqueles que sobrevivem ganham poderes espirituais.
As danças e cantos dos Xikrin recuperam o tempo mítico, e recriam a energia necessária para a continuidade e a estabilidade da floresta onde vivem. (E quem há de dizer que não é verdade ?)
Esse transgênico foi criado para ser resistente a um agrotóxico específico de uma empresa específica. Se você chutou a própria Bayer, parabéns! Acertou em cheio!
Milho transgênico da Bayer + agrotóxico da Bayer = PERIGO! O que a Bayer não informa é que a quantidade de resíduo de agrotóxico no milho transgênico é muito maior do que a do milho convencional. E o que é pior: segundo estudos científicos, ele pode provocar diarréias, nascimento de fetos prematuros e até aborto. Além de ser um risco para a saúde do ser humano, o milho transgênico ameaça outras espécies de milho, pois pode contaminar plantações convencionais e orgânicas inteiras! |
Não deixe esse mal invadir nossas plantações! |
A Bayer está tentando introduzir no Brasil o milho transgênico. (Fonte: site do Greenpeace) |
A Bayer está tentando introduzir no Brasil o milho transgênico criado para ser resistente ao agrotóxico que a própria Bayer fabrica. Recentemente, a empresa vem sofrendo represálias e protestos em diversos países por ter contaminado o estoque mundial de arroz com variedades transgênicas ilegais. Além da contaminação de nossas lavouras, o cultivo desse milho transgênico resistente ao agrotóxico no Brasil pode expor a saúde dos brasileiros a riscos inaceitáveis, como náuseas, diarréia, nascimento de fetos prematuros e até mesmo aborto. Agora, a CTNBio, comissão do governo que avalia a segurança de transgênicos, está discutindo a liberação do milho da Bayer. No entanto, pode ser que esses riscos para a saúde e para o meio ambiente não sejam levados em conta. Proteste agora mesmo enviando essa carta para o Presidente Lula, Ministros envolvidos nesta decisão e cientistas da CTNBio, além da própria Bayer. |
O Procurador da República em Rondônia, Heitor Alves Soares, em parceria com o Ministério Público Estadual (MPE) conseguiu ontem uma liminar cautelar ambiental que suspende as audiências públicas do complexo hidrelétrico do Rio Madeira. As audiências começariam hoje e terminariam no dia 11 deste mês.
"É uma vitória da sociedade, da democracia, das instituições, que conseguiram mostrar a todos e todas que é possível lutar por um mundo melhor!", afirma Artur Moret, especialista em energia e um dos coodenadores da Campanha Viva Rio Madeira Vivo, que congrega mais de dez movimentos sociais e entidades ambientalistas.
A decisão é resultado de uma solicitação feita na segunda-feira (6) pelo movimento Viva o Rio Madeira Vivo. A alegação das entidades, incorporada pelos ministérios públicos e aceita pela justiça federal, é de que o Ibama transgrediu prazo mínimo estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para realização de consultas públicas. Além disso, os ministério públicos indicaram, com estudos paralelos encomendados pelo MPE, que o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIma) apresentado por Furnase Doebrecht é insatisfatório. A determinação do juiz é de que esses novos elementos sejam incorporados ao processo de licenciamento e eventuais lacunas sejam sanadas. Até que isso seja feito, nenhuma audiência poderá ser marcada, como demonstra o trecho a seguir extraído da liminar:
" Autorizo a designação de novas audiências públicas somente depois de integralmente atendidas as recomendações/complementações do IBAMA, quem para tanto devrá tomar em conta os subsídios oriundos da auditagem independente acompanhado o processo de implantação das hidrelétricas e observar a publicidade inerente aos certames públicos, sob prévia comunicação ao juízo".
Outro ponto acatado pela justiça se refere ao tempo em as audiências foram marcadas. A resolução 009/87 do Conama determina que a partir do recebimento do Relatório de Impacto Ambiental o Ibama deve divulgar prazo de 45 dias para sejam solicitadas novas audiências públicas. As quatro audiências programas para esta semana foram marcadas sem que decorresse esse prazo. Para o diretor de licenciamento do Ibama, Luiz Felipe Kunz, o fato de ainda estar aberto o prazo para solicitação de consultas públicas não impede que outras sejam marcadas. Para os ativistas em Rondônia, e para o Juiz Federal, a pressa para que o processo de licenciamento avance prejudica a participação popular e a avaliação dos empreendimentos.
A audiência pública marcada para hoje no distrito de Abunã chegou a ser iniciada, mas foi interrompida por um militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) que leu em voz alta o conteúdo da liminar. Segundo o Ibama, cerca de 300 pessoas estava presentes.
O Ibama já entrou com uma pedido de revisão da liminar. Caso esse pedido não seja aceito, o instituto está disposto a enfrentar uma batalha jurídica que pode ser ainda mais demorada.
(Carolina Derivi e Eliane Scardovelli)
O Povo SAN ocupa um território na área do Deserto do kalahari, o qual abrange partes da África do Sul, Namíbia e Angola, compreendendo uma população de cerca de 120 mil pessoas. A planta Hoodia (Hoodia gordonii - Asclepieadaceae) é um cactus que cresce no Derserto do Kalahari, sendo utilizada, tradicionalmente, como alimento e para diminuir a sede durante as atividades de caça.
Em 1996, a patente sobre o principio ativo da planta, P57, ingrediente supressor de apetite, foi concedida ao Instituto Sul Africano de Pesquisa - CSIR. Em 1997, o Grupo de Trabalho de Minorias Indígenas no Sul da África – WIMSA, tomou conhecimento da patente através de um artigo de jornal, o qual declarava que o Povo SAN estava extinto.
No acordo foi estabelecido que os direitos de propriedade intelectual permanecem nas mãos do CSIR e que o Povo SAN não pode fazer acordo com terceiros. O problema é que, até hoje, não há produtos no mercado baseados na patente da planta Hoodia obtida pelo CSIR, mas inúmeros produtos baseados na planta Hoodia estão sendo comercializados. Na Suíça, por exemplo, pode-se encontrar pelo menos dez produtos farmacêuticos que contêm derivados da planta Hoodia. Estes produtos pirateados - alguns deles importados dos Estados Unidos – chegam a declarar no rótulo que se baseiam no conhecimento do Povo SAN. Ainda que alguns destes na verdade nem contenham a planta Hoodia, fazem uso da imagem do povo SAN para comercializá-los.
O caso da Hoodia demonstra, claramente, a grande discrepância entre teoria e prática na repartição de benefícios e as dificuldades que isso pode trazer para os povos indígenas e comunidades locais.
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Os cientistas demoraram 30 anos para conseguir isolar a molécula, a P57, que dá à planta o poder de inibir o apetite. Ela age na região do hipotálamo — centro da fome e da saciedade — liberando um componente químico similar à glicose, só que 10 mil vezes mais potente e sem caloria. “O organismo recebe a mensagem de que tem glicose suficiente circulando no sangue, reduzindo o apetite especialmente por massas e comidas açucaradas”, diz o farmacêutico Carlos Muniz de Souza, da Sociedade Brasileira de Farmacognosia, Regional Sudeste. (Fonte das informações: site Boa Forma)
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Na última sexta-feira, dia 27 de outubro, um indígena Awá Guajá da aldeia Juriti foi encontrado morto num quarto de hotel A causa da morte é desconhecida, mas segundo informações da Funai, tudo indica que ele foi vítima de um ataque cardíaco. Se confirmada esta hipótese, será necessário esclarecer o que causou um ataque repentino em um indígena de pouco contato. Diante do triste acontecimento algumas perguntas nos vêm imediatamente à cabeça. O que um Awá Guajá da aldeia Juriti estava fazendo num hotel de Santa Inês? Que viagem era essa que ele faria no dia seguinte? O caso da morte de To’o traz à tona outra situação extremamente preocupante vivida pelos indígenas Awá Guajá no Maranhão. Segundo relatos de indígenas Awá Guajá e Guajajara, a Funai estaria preparando uma operação para contatar um grupo de aproximadamente 60 pessoas, divididos em três sub grupos, de Awá Guajá que ainda vivem livres, sem contato com a sociedade envolvente, na Terra Indígena Araribóia, no centro-oeste do Maranhão. Os indígenas também informaram que To’o estaria A incapacidade dos órgãos federais de controlar a ação desenfreada dos madeireiros, que todos os dias retiram ilegalmente dezenas de caminhões carregados de madeira da T.I. Araribóia, seria o motivo alegado para a realização do contato. A ação dos madeireiros e a omissão da Funai diante dessa situação colocam em risco a vida do Povo Awá Guajá. São grupos familiares que vivem livres na mata, ou seja, sem contato com a sociedade que os cerca. Estes são um dos poucos povos livres do Brasil e do mundo e estão ameaçados pelos madeireiros que exploram a T.I. Araribóia. Madeireiros ameaçam índios sem contato A T.I. Araribóia, juntamente com as T.I.s Caru e Alto Turiaçu, representa o que sobrou de floresta no Maranhão e é habitat natural dos Awá Guajá. Cobiçada por madeireiros, fazendeiros e caçadores, está sofrendo, desde a década de 80, um processo acelerado de pilhagem. Muitas pessoas não acreditavam na existência de povos livres naquela região. Porém, vez por outra, relatos de indígenas e moradores dos povoados vizinhos da terra confirmavam as suspeitas. Nos últimos três anos, a ação dos madeireiros tem se intensificado, o cerco de destruição foi se fechando cada vez mais e os relatos da presença dos Awa Guaja foram ficando mais freqüentes. |
(Trecho de matéria publicada no site BBCBrasil )
Richard Black
Um estudo divulgado nesta quinta-feira indica que não haverá praticamente mais nada para pescar nos oceanos até o ano de 2048, caso a atual taxa de mortalidade das espécies marinhas continue do jeito que está hoje.
De acordo com o levantamento, feito por uma equipe internacional de cientistas e publicado na revista científica Science, os estoques de pesca já caíram em cerca de 33% e a taxa de eliminação da biodiversidade marinha continua aumentando.
No entanto, os cientistas acreditam que ainda é possível reverter a previsão, caso sejam ampliadas as áreas de proteção.
“Nós exploramos os oceanos esperando e supondo que haverá sempre uma nova espécie para ser explorada depois que acabarmos completamente com a última”, disse o cientista Boris Worm, da Universidade Dalhousie, do Canadá, que coordenou a pesquisa.
“O que estamos ressaltando aqui é que a quantidade de peixes nos mares é finita; nós já passamos por um terço, e vamos passar pelo resto.”
Alerta
Outro cientista envolvido no projeto, Steve Palumbi, da Universidade de Stanford, também faz o seu alerta: "Se nós não mudarmos fundamentalmente a forma como administramos o conjunto das espécies marítimas, este século será o último século com frutos do mar na natureza".
O estudo, do qual participaram cientistas de diversas instituições da Europa e das Américas, foi feito com base na análise dos índices de pesca em alto-mar, da pesca praticada em determinadas regiões costeiras e de experimentos feitos em ecossistemas pequenos e em outros onde a pesca é restrita ou protegida.
O estudo também alerta que a tendência é que a perda da biodiversidade cause mais fechamentos de praias, inundações e disseminação de algas potencialmente nocivas.
Danos cumulativos
Segundo Worm, as espécies marinhas estão fortemente vinculadas umas às outras, "provavelmente mais do que na terra".
Uma conclusão-chave, no entanto, é a necessidade de proteger mais áreas oceânicas.
"Você também tem de ter uma boa administração dos parques marinhos e boa administração das pesqueiras. Claramente, a pesca não deveria destruir o ecossistema. A pesca com rede de arrasto (que leva tudo que está no fundo do mar) é um bom exemplo de algo que destrói o ecossistema."
Worm cita o caso da região de Grand Banks, no leste do Canadá, onde os estoques de bacalhau se esgotaram.
"Você tem consenso científico e nada acontece. É um exemplo triste; e o que aconteceu no Canadá deveria ser um aviso porque agora entrou em colapso e não volta".
Da mesma forma, diz o pesquisador, os alertas para disciplinar a pesca de bacalhau no Mar do Norte estão sendo ignorados.
RIO - O Instituto Estadual de Florestas (IEF) apreendeu na madrugada de domingo, em em Paraty-Mirim, 200kg de pepino-do-mar, uma espécie de equinoderma (ou holoturóide), animal marinho do mesmo tipo da estrela-do-mar e do ouriço-do-mar, que vive em grandes profundidades do oceano. O pepino-do-mar é muito utilizado na culinária japonesa e na fabricação de cosméticos.
Quatro pessoas foram autuadas por crime ambiental e terão que pagar R$ 500 por espécie retirada do mar: José Mok, de 40 anos; Tarcilho Assunção Filho, 45; Adilson José Teixeira, 38; Huang Jiexim, 38; e Jacky Chan, 44. O grupo foi flagrado quando levava a mercadoria para restaurantes de São Paulo. As detenções foram fruto de denúncia anônima.
Os 200 kg apreendidos (cerca de oito mil unidades do animal) foram incinerados nesta segunda-feira por fiscais do IEF, por falta de condições de conservação, já que são alimentos altamente perecíveis. A carga foi pescada ilegalmente num recém-criado núcleo de preservação ambiental, na Costa Verde.
- Acho que tudo é possível fazer na retirada da natureza, desde que se faça o manejo adequado. O problema é uma retirada dessas, feita de forma predatória, sem nenhum manejo, como respeito à época de reprodução e tamanho adequado - observou o presidente do IEF, Maurício Lobo.
O pepino-do-mar vive em áreas conservadas, sem poluição, e é amplamente usado na indústria de cosméticos. Segundo Lobo, muitos produtos da biodiversidade do país ainda estão sendo descobertos e uma das alternativas para estudos e comercialização é a criação em cativeiro, sem agredir a natureza.
- É importante preservar. Isso é um patrimônio não só do estado, mas de todo o Brasil”.
Essa foi a primeira apreensão de pesca predatória na região. O núcleo de Paraty-Mirim é considerado um ponto estratégico de entrada para a área de preservação ambiental do Saco do Mamanguá, que faz limite com a reserva ecológica de Joatinga. Até agora, a área estava ameaçada por invasões.
Preservemos o meio ambiente!
Jacaré-açu livre da extinção
Em poucas horas, pesquisadores encontram mais de 6 mil espécimes na Amazônia
(Trecho de matéria de Andrea Guedes, publicada em 21/06/01 no site Ciência Hoje)
O jacaré-açu, maior animal do continente americano excluindo-se os oceanos, está livre de extinção. Quem afirma é o biólogo Ronis Da Silveira, doutorando em ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Em poucas horas de levantamento noturno pela bacia do rio Solimões, ele e sua equipe encontraram mais de 6 mil espécimes do Melanosuchus niger. Desde 1989, o animal está na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção elaborada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em princípio, a relação é atualizada a cada três anos. O biólogo relatou o resultado de sua pesquisa ao instituto e espera que a próxima versão seja apresentada sem o réptil.
De acordo com Ronis, que há 11 anos estuda o jacaré-açu, o risco de extinção no Brasil foi apontado a partir de pesquisas realizadas nos anos 1980. Os primeiros registros científicos do réptil foram realizados por pesquisadores europeus no final do século 19, que o encontraram em grande quantidade em várzeas (áreas alagadas dos rios de água branca).
"A espécie ocorre em basicamente toda a bacia amazônica, mas é realmente abundante somente nas áreas de várzeas", conta o biólogo. "Em outras áreas, ela ocorre naturalmente em baixas densidades, e esse fato levou os pesquisadores anteriores a mim a conclusões errôneas."
Mesmo livre da extinção, o jacaré-açu precisa ser monitorado porque é alvo de caça predatória. No Amazonas, maior produtor ilegal de carne de jacaré do mundo, esses répteis são mortos e sua carne exportada ilegalmente para a Colômbia e outros estados brasileiros. Além disso, centenas de pessoas vivem da venda dessa carne no estado, embora a lei só permita a caça de animais para subsistência (desde que não estejam em extinção). Segundo Ronis, o ideal seria trazer essas pessoas para o mercado legal com o objetivo de gerar empregos e melhorar sua qualidade de vida. A idéia é que a população ribeirinha possa, com o conhecimento empírico que tem da região, colaborar com o esforço dos pesquisadores para preservar o jacaré-açu.
PARA ASSISTIR A UM VÍDEO SOBRE O JACARÉ-AÇU, CLIQUE AQUI
Rio de Janeiro - Trinta e cinco representantes de 17 etnias indígenas ocupam o antigo prédio em ruínas do Museu do Índio, em frente ao estádio do Maracanã. O grupo reivindica a recuperação, posse e administração do espaço, desativado desde 1978, quando o museu foi transferido para o bairro de Botafogo. Os índios afirmaram que só deixarão o local depois que o governo federal se manifestar a favor da proposta.
A ocupação começou na noite de ontem (20) e o grupo de índios já conseguiu iniciar negociações com representantes da comissão do Ministério da Agricultura, que administra o espaço. Foi marcada uma reunião para as 16 horas de segunda-feira (23), a fim de analisar a questão.
O professor José Guajajara, da etnia do Maranhão, e que aos 44 anos conclui pós-graduação em Educação Indígena na Universidade Federal Fluminense (UFF), disse que há três anos os índios vinham discutindo a ocupação como forma de dar visibilidade ao movimento que cobra do governo políticas públicas para os indígenas. Entre essas políticas públicas estão a demarcação de terras e diferenciação em questões de saúde e educação.
No ano passado, essa ação seria realizada, mas os índios recuaram depois que a informação vazou para a imprensa, porque não queriam ser confundidos com invasores. “Viemos para ficar. Para isso, vamos fazer tendas em volta do prédio e buscar recursos imediatos para receber visitantes e alunos de escolas públicas. O espaço vai ser diferente de outros, será o índio recebendo e administrando o próprio projeto. Hoje, as direções dessas instituições não estão com os índios”, explicou o professor.
O espaço, acrescentou, centralizará a pesquisa e a difusão da produção cultural indígena, além de estabelecer um calendário de palestras em escolas do Rio de Janeiro. O resgate da história do povo indígena inclui a identificação e aproximação dos índios urbanos, chamados de desaldeados ou de invisíveis, porque não são contabilizados nas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Os índios não são contabilizados porque estão nas favelas dos grandes centros urbanos ou viram mendigos. Cobramos do IBGE a realização de um questionário de auto-afirmação dos povos originários, para cada um se afirmar com a sua etnia. Hoje temos levantes dos Xavantes do Mato Grosso, dos Ticunas do Amazonas, dos Caijajara, Caigangues, cobrando esse estudo”, garantiu José Guajajara.
Ontem, as lideranças indígenas participaram do 1º Encontro Movimento dos Tamoios: Pelo Resgate dos Direitos dos Povos Originários do Brasil, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde foi votada a proposta de ocupação do antigo museu.
Depois do encontro os índios foram para o local e enfrentaram resistência dos vigias que tomavam conta do terreno, mas não houve violência. “Fizemos um toré (manifestação com dança) para mostrar que éramos índios e conseguimos ficar”, informou o professor.
O encontro do Movimento Tamoio foi organizado pelos Sindicatos Estadual e Nacional dos Profissionais de Educação.
Diários da floresta, de Betty Mindlin
Quando: terça-feira, 24 de outubro de 2006, às 19 horas
Onde: Restaurante Buttina - Rua João Moura, 976 - São Paulo/SP (ver mapa de acesso)
Diários da floresta é o conjunto das anotações de campo das seis primeiras viagens da antropóloga Betty Mindlin ao povo Suruí Paiter de Rondônia, entre 1979 e 1983, durante os primeiros anos de contato da tribo. Eram agricultores e caçadores, habituados a conflitos com inimigos, conhecedores da floresta, pouco influenciados pela sociedade industrial que avançava sobre eles. Sua forma de vida deslumbrou a autora. Os diários relatam as descobertas cotidianas, a análise da economia e da organização social, do parentesco, dos rituais, do amor e da guerra, procuram desvendar outro modo de ser.
(Fonte: Folha On line - RICARDO GALLO, DA REPORTAGEM LOCAL - SALVATORE CARROZZO, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA)
Faz seis meses que Cícero não sabe o que é ver mulher e filho. Em abril, deixou a aldeia Brejo das Almas, no interior de Pernambuco, para viver de favor numa favela de São Paulo. Tudo para conseguir um emprego e sair da miséria. "Mas está difícil. Não consegui nada até agora", disse.
Cícero é um índio pankararu, exemplo de um fenômeno que cresce em São Paulo -a dos pankararus favelados em busca de oportunidade.
Em 2006, são 509 famílias apenas na favela do Real Parque, no Morumbi (zona oeste), contra 400 três anos atrás. No Estado, há cerca de 1.500. A favela do Real Parque sedia a associação Pró-Pankararu, que representa a etnia no Estado -foi lá que os primeiros deles chegaram a São Paulo.
"A miséria lá [em Pernambuco] está grande. A safra na aldeia não dá nada, então eles vêm para ganhar a vida aqui", afirmou o líder da comunidade, Bino Pankararu. Quinze dias atrás, disse, ele recepcionou 11 pankararus, que pagaram R$ 200 pela viagem em ônibus clandestino -mais barato.
O que os afasta da aldeia é a miséria: a venda de milho e feijão, duas das culturas de subsistência, rende R$ 50 mensais para as famílias. Em São Paulo, tentam empregos que não exijam qualificação -servente de pedreiro e ajudante de obra.
Realidade dura
Bastam alguns dias na metrópole para notar que emprego é coisa rara. Então, em vez de casebres da aldeia, os índios passam a habitar barracos de madeira, com energia elétrica improvisada, além de conviver com esgoto nas ruas.
Em meio a casas de tijolo à mostra e barracos improvisados, a entidade tenta preservar a cultura indígena. "E os vizinhos respeitam", afirmou Bino.
Eles, os vizinhos de favela, acharam bonito quando, paramentados com roupas de palha, cobertos até a cabeça, os pankararu se exibiram na entrada da Real Parque, em abril deste ano. O toré, como é conhecida, tem passos ritmados e som de flauta. Exige muita concentração: só vestem a roupa aqueles "puros de espírito", que não mantiveram relações sexuais há pelo menos três dias. "E o nome do índio que veste a roupa ninguém sabe", afirma Bino.
A pedido da Folha, três índios se vestiram para dançar o toré ontem. Atenta, a pankararu Maria Helena da Silva, 56, se emocionou. "Dá muita saudade da aldeia", diz ela, quatro meses de São Paulo.
A cultura é mantida ainda nas sessões de fumo, chamado de campiô. Nelas, até as crianças tragam a mistura de fumo e ervas. "É a nossa tradição. Uma vez fui a uma escola e reclamaram disso. Falei que, se fosse assim, a gente pararia a apresentação. Eles entenderam."
Os pankararu da favela Real Parque sobrevivem do trabalho, da ajuda de vizinhos e da renda de apresentações. Deixar os barracos, por ora, é uma esperança distante. Para tentar sair da favela, a comunidade pediu à prefeitura e ao Estado uma porção de terra para criar uma aldeia. Procurados, prefeitura e Estado disseram não haver projetos específicos para a etnia pankararu.
Da Funai (Fundação Nacional do Índio), eles recebem auxílio-transporte para o Estado natal e um projeto de bolsas de estudo integrais para graduação na PUC -26 indígenas foram beneficiados.
Migração
A história dos pankararu em São Paulo começou nos anos 50, quando, expulsos por posseiros, migraram em busca de emprego. Fixaram-se na região que mais tarde daria origem à favela Real Parque, trabalhando na construção do estádio do Morumbi e do Palácio dos Bandeirantes. Com o tempo, a intensificação do fluxo de índios deu origem a verdadeiras aldeias urbanas, encravadas nas favelas de Paraisópolis e do Grajaú (zona sul) e parque Santa Madalena (zona leste).
(Colaborou KRISHNA MONTEIRO , Colaboração para a Folha)